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No passado, este selvagem povo-rato estava entre as maiores ameaças ao Império. Ambos, humanos e nezumi, acreditavam ser os legítimos donos da ilha. Viviam em guerra contra os “invasores”, tentavam expulsá-los de todas as formas. Hoje, após sobreviverem aos horrores da Tormenta, os antigos inimigos buscam colocar de lado as diferenças para reconstruir Tamu-ra.
Para membros de uma raça sempre à procura de briga, a vida como aventureiro parece uma excelente opção! Nezumi gostam de estar com aliados durões, gostam de poder medir forças, desafiá-los o tempo todo. Aceitam apenas parceiros fortes como seus nakama. Para aqueles que se acostumam com seu temperamento irascível e suas provocações constantes, o feroz homem-rato é um companheiro valioso.

Os nezumi não vieram a este mundo para fazer amigos, muito pelo contrário. São hostis, grosseiros, rudes, sem lugar em sua cultura para coisas como gentileza ou cortesia. Mesmo entre si eles são desconfiados, competitivos, rivais. Acreditam na sobrevivência e prosperidade do mais apto.
Por estranho que pareça, ao mesmo tempo em que considera todos à sua volta como inimigos, o típico nezumi também teme estar sozinho. Menor e mais fraco que a maioria das outras raças, o povo-rato confia na força dos números, confia em trabalho de equipe. Para derrotar um adversário poderoso, formará qualquer aliança vantajosa. “O inimigo de meu inimigo é meu amigo.”
Todo nezumi parece frenético, inquieto, nervoso. No entanto, sabem manter-se em silêncio quando a situação exige — especialmente ao emboscar inimigos.
Nezumi podem ser facilmente descritos como pequenos homens-ratos. São seres de pelagem cinzenta com grandes orelhas, focinhos alongados, olhos vermelhos e garras ameaçadoras. Mesmo pequenos, parecem muito perigosos, prontos a explodir em fúria e arrancar os olhos de seus inimigos a qualquer instante. Quase todos são cobertos de cicatrizes, com pedaços das orelhas e caudas faltando — sendo que provavelmente receberam tais ferimentos de sua própria gente, no convívio diário.
A vestimenta padrão nezumi combina com seu modo de vida. Não precisam realmente de roupas, mas usam trapos tomados de suas vítimas. Também fazem colares e outros adereços tribais com ossos, dentes, orelhas e outros “troféus”.
Nezumi tratam os outros povos como inimigos, mas sem necessariamente odiá-los. Sob seu estranho ponto de vista, considerar alguém “inimigo” é mostrar respeito, é reconhecer sua força. Para os nezumi, inimigos são valiosos, dão significado ao mundo. Uma vida sem adversários é uma vida vazia, é apenas esperar pela temível morte por velhice ou doença.
Assim, por séculos os nezumi tentaram derrotar os intrusos humanos, por séculos fizeram guerra contra o Império — muito embora, incapazes de agir como um exército organizado, seus ataques fossem pouco mais que escaramuças isoladas. Por outro lado, o Império jamais teve êxito em expulsar ou dizimar o resistente povo-rato, capazes de sumir nas montanhas e sobreviver aos maiores rigores. A inimizade, que parecia eterna, acabaria com a chegada da Tormenta, um mal muitíssimo pior. Humanos e nezumi viram-se frente a algo abominável, que nenhum deles podia tolerar. Lutaram juntos. E morreram juntos, aos milhões.
O conceito tamuraniano de “honra” está entre as poucas coisas capazes de enojar um nezumi. Enquanto um samurai humano diz ser honrado proteger os fracos, um nezumi acharia isso um insulto — roubar de alguém a chance valiosa de lutar pela própria vida. “Proteger” alguém é arrogância, é mostrar que aquela pessoa não passa de um lixo inútil. Assim eles pensam.
Quase todo homem-rato procura vencer a qualquer custo. Não vai desistir de uma vantagem, nem seguir regras de conduta, nem jogar limpo. Por isso, quando surge algum raríssimo nezumi justo e digno, esse infeliz vai encontrar muita dificuldade para provar sua honra.