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E o RPG? E a mesa dessa semana?
A Tormenta ameaça toda Arton, ataca a qualquer momento em qualquer lugar. Mas nenhuma outra nação viveu tão longamente o pesadelo aberrante quanto Tamu-ra — período que ficou conhecido como Era Akumushi. Embora o monstruoso Lorde Igasehra tenha deixado a ilha, sua influência macabra persiste. Por todo o Império, crianças nascem com deformidades horrendas. Algumas a ponto de não serem mais reconhecíveis como seres humanos. No Reinado de Arton eles são chamados lefou. Aqui, os meio-demônios da Tormenta são kaijin, algo como “homem-monstro”. E por sua maior exposição à Tormenta, são ainda mais grotescos e brutais.
No Reinado de Arton eles são chamados lefou. Aqui, os meio-demônios da Tormenta são kaijin, algo como “homem-monstro”. E por sua maior exposição à Tormenta, são ainda mais grotescos e brutais.

O horrendo exterior do kaijin quase sempre reflete seu interior. Nascido aberração, renegado pelos seus, acaba tornando-se uma criatura de raiva, ressentimento e amargura. Recolhe-se em sua própria escuridão, jamais conhecendo coisas como amizade ou amor. Diante dos olhares apavorados que causa, responde com ainda mais ódio e revolta. Tornam-se os monstros das histórias de terror, espreitando estradas à noite. Explodem em fúria insana atacando povoados. Talvez, no íntimo, desejando que alguém tire sua vida e traga fim a seu sofrimento.
Mas alguns perseveram. Recuperam a determinação tamuraniana em superar a dor, esforçar-se além dos limites, lutar para alcançar um objetivo impossível. Protegem seu coração humano como um tesouro. Buscam significado nas pessoas, nos deuses, na vida. Cultivam a honra.
Poucos kaijin apresentam traços humanos. Seus corpos são revestidos de verrugas, couro, pelagem ou carapaça. Seus rostos são amontoados de crostas, olhos, presas, quelíceras e antenas. Braços e pernas são longos ou curtos demais, ou dobram-se em lugares errados. Suas mãos podem ser garras, pinças ou tentáculos. Espinhos e lâminas projetam-se de todas as partes. Exceto por manter uma estrutura humanoide (cabeça, tronco, dois braços, duas pernas), praticamente não podem ser diferenciados dos outros demônios da Tormenta.
Muitos kaijin lembram paródias bípedes de algum animal natural — nem todos existentes em Tamu-ra.
Um massivo homem-rinoceronte blindado. Um homem vespa trazendo o ferrão no braço, como espada. Um homem-polvo com numerosos tentáculos. E existem aqueles que, estranhamente, mostram certo tipo de elegância. Lembram um samurai humano trajando uma armadura viva, cheia de olhos e veias pulsantes. Dizem ser estes os mais poderosos e perigosos kaijin.
Desnecessário dizer que, em uma terra arrasada pela Tormenta, ninguém é mais temido e odiado que os kaijin. Camponeses gritam e fogem ao vê-los, samurais e onimusha os caçam. Se quiser continuar vivendo, o meio-demônio não tem outra escolha exceto afastar-se o máximo possível de outras raças.
Apenas em casos especiais um kaijin é aceito. A inocente criança humana, fascinada pelo novo amigo. O sábio vanara, que enxerga o verdadeiro interior do monstro. O marginalizado hanyô, ansioso por companhia. O nobre ryuujin, que não condena alguém por sua aparência.
Ironicamente, ninguém é mais perigoso para um kaijin que outro kaijin. Talvez por conhecer perfeitamente o que existe em seus corações, eles trazem o forte instinto de atacar e matar seus iguais. Tamu-ra tem numerosas histórias sobre batalhas sangrentas entre estes monstros.
Para muitos kaijin, honra é algo que nunca terão, algo não merecido por monstros malditos. Para outros, é a única salvação, a única coisa que os diferencia dos demônios. Estarem em extremos opostos da honra também é causa de duelos mortais entre os kaijin.